sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Lycan e Stone Night Rose descontinuados? Por que?

Meus perfumes Lycan e Stolen Night Rose estão oficialmente descontinuados!
Pois é, quem se lamenta por não ter conhecido ou conhecido e nunca usado ou conhecido, usado e já com saudades, explico:
Agora sou uma perfumista botânica natural internacional. E ser perfumista BOTÂNICA, significa não usar nada animal. E ser perfumista natural significa não usar nada sintético!
Na fórmula de Lycan tinha notas animais autênticas e uma nota sintética.
Na fórmula de Stolen Night Rose, civet e ambargris.
Então, o lance agora vai ser compor totalmente com óleos essenciais e material natural, botânico, no laboratório.

Só para selar minha tendência, com um carimbo internacional. Sim, a partir de agora, faço parte da International Perfume Foundation, uma instituição de apoio ao perfumista natural, onde figuro como perfumista e professora de perfumaria botânica, pela Natural Perfume Academy.
Sou a primeira perfumista credenciada na América do Sul e não caibo em mim de contentamento.
Valeu, valeu, valeu!
Agradeço a Justine Crane, minha querida professora. Ruth Ruane, a administradora da Academy, Terry Johnson o diretor da IPF.
Fizeram a artesã perfumista feliz!
Agora, cumpre a mim me superar, melhorar cada vez mais.
Bora fazer perfume?
PS - Tenho que dizer que nada disso teria acontecido sem a ajuda prestativa da minha querida Poh Yee Ooi-Holmes.

Os últimos frascos de Lycan.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Fé, menina sagrada.

Semana passada fomos, marido e eu, a Tiradentes, para participar de um evento de aromatologia, chamado Consciência Essencial, feito pelo grupo Viver de Aromas (André, Tuane, João e Michel).
Lá tive a oportunidade de encontrar gente legal, com propostas e papo legal. Homens que respeitam as mulheres, tratam-nas bem, colocam-nas em destaque e gostam delas. Mulheres dinâmicas, poderosas e interessantes, que chamam a menstruação de sagrado feminino. Não quero colocar entre aspas, porque não considero zombaria nem quero que considerem.

Ao que parece, custamos a entender a menstruação, como um rito de passagem de nosso corpo. 
Pelo menos, agora, as meninas podem perguntar para as mães o que se passa, que sangue é aquele que de vez em quando aparece.
Antigamente, na época em que a minha menarca aconteceu, aos 10 anos de idade, inesperadamente, após uma matinée de cinema, assistindo a Volta ao Mundo em 80 dias, cheguei em casa e: OH! Pensei que tivesse feito alguma coisa errada, que estivesse doente, perfurada, algo grave e dei um tremendo grito! Veio a Filó (a minha querida amiga e conselheira) me socorrer, explicar o que minhã mãe não conseguia direito. Tive que me conformar em ouvir que não podia mais brincar com os meninos na rua, que teria que me comportar mais, que devia parecer uma mocinha. Para mim, aquilo doía muito, como uma traição intuitivamente esperada, de meu corpo, uma decepção comigo por não ter esperado mais, até os 14, como a primeira menstruação da Filó.

Daí pra frente, fui alvo da conversa de todas as amigas e parentes da minha mãe e na escola eu era uma das "premiadas" do 4ºano primário.
Foi trocando ideias na escola, que aprendi um pouco mais, que não era um bicho anormal, que sangrava todo mês. Era só uma das características de ser mulher e era só ir me acostumando. Não foi difícil.
Provavelmente foi ela que me fez estudar biologia, porque eu queria muito entender tudo o que me acontecia por ser viva.
Estudei muito e saquei algumas coisas. Ao longo do tempo, estudei mais e saquei mais:

Antigamente, quando vivíamos em bandos de caçadores/coletores, a mulher menstruava muito pouco tempo de vida. Ou estava grávida ou estava amamentando. Ambas as atividades ou impedem ou diminuem o fluxo da menstruação.  Esta só se repetia mensalmente nas mulheres estéreis e nas muito jovens, que não tinham parceiro sexual.
Porque a menstruação nada mais é do que o revestimento endometrial do útero, que se prepara para receber um óvulo fecundado. Como o óvulo não vem, a parede do útero se descama e este revestimento sai do corpo pela vagina.
Via de regra, este sangue é sinal de que a mulher está apta a ser fecundada novamente. 

É interessante como somos diferentes das outras mamíferas! Deveria ser o nosso cio, mas é exatamente o contrário. Temos cio todo mês e bem pouco instintivo. Na mulher, o sinal de sangue também quer dizer que não está fértil, naquele período.
À medida que fomos crescendo e reproduzindo, a população humana cresceu demais e demos um nó na Evolução! Com nossa inteligência e capacidade de aprender, fomos cada vez mais nos distanciando das leis que regem a Natureza. Aumentamos nossa resistência a doenças, com a ajuda da medicina. Aumentamos nossa longevidade, comendo direito e fazendo exercícios. Usamos de práticas para vencer ou diminuir os efeitos da "seleção natural", porque somos os racionais.
E com a menstruação não foi diferente.
Menstruamos fora do cio, não ficamos grávidas sem programação (há quem não saiba se programar, mas aí é outra coisa) e nosso ciclo hormonal é diferente das outras mamíferas.
Só temos um grande problema: não sabemos direito o que fazer com isso, a não ser tomar cuidados básicos. E muitas de nós tomamos pílulas anticoncepcionais e alteramos ainda mais nosso comportamento natural.
Agora há diferentes dispositivos para usar na menstruação, que não havia quando era mais moça. Coletores de plástico (interessantes, mas parecem muito rígidos e incômodos e também, por serem introduzidos com os dedos, fica sujeito ao contato manual. Paninhos, bem diferentes das toalhinhas higiênicas "da vovó", que eu também usei e são horríveis de usar e lavar.
Eu teria que aprender como se usa tudo isso, mas não quero. Não menstruo mais. Fico com a paz das anciãs, daquelas que já sabem o que fazer e precisam passar adiante.

Na TPM, se você é das sonolentas, use uma menta ou alecrim, para aspirar, esfregando nas mãos ou no lenço. Águas aromatizadas com anis, hortelã e alecrim também são ótimas!

Se você é tipo nervina, que sobe pelas paredes e tem vontade de assassinar quem se aproxima, um travesseiro para desafogar suas intenções, que você possa esmurrar e morder.. Um chá ou água aromatizada com camomila, capim cidreira. Água de flor de laranjeira é uma bênção, nestas horas! Duas colheres de sopa em um copo d'água e tudo se descomplica.
Se você tem dores de cabeça, pode ser sono. Nestes dias o sono aumenta e você quer viver igual, descompensa e a dor de cabeça vem. Se dormir e não melhorar, tome um chá de louro. 
Mantenha seu intestino funcionando. Como é muito chato fazer cocô junto com a menstruação, a gente se prende!!! Pense o seguinte:"depois que estiver tudo pronto, eu vou me lavar com água e ficarei limpa e refrescada." E faça isto. Se não puder, ande com lenços de limpeza, para garantir uma bela higienização. E é muito importante, pois se o intestino fica preso, há acúmulo de gases e isso comprime a pelve, causando cólicas mais fortes. Um chá de capim cidreira vai ajudar bastante, junto com o louro.
Se você incha, o chá de capim cidreira com louro também irão ajudar, pois têm ação diurética. Pode associar com cavalinha, para desinchar.

Seios doloridos, dores nas costas e baixo ventre, com cólicas, o chá de louro é uma bênção. O chá de anis, para variar e não ficar só no louro. Relaxam, tiram a ansiedade e são anti espasmódicos, diminuindo a dor.
Sim! Faça sua tabelinha. Sempre! Ah, mas isto não adianta nada. Olhe, faça! Você aprende a se conhecer mais, entra em contato consigo mesma, começa a entender melhor seu ciclo e sabe distinguir legal quando aquela irritação é verdadeira ou é apenas raivinha de TPM.
É só marcar o primeiro dia da menstruação e outra hora eu ensino o resto, mas só se você se in
teressar...
Tem mais coisa pra falar?
Claro que tem, mas por enquanto, é isto.
Cuidem-se. Se vocês não se cuidam, ninguém o faz.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Água de Hungria

Conta a lenda que a rainha Isabel da Hungria, Santa Isabel (1305-1380), queixava-se de muitas dores reumáticas. Um eremita lhe deu uma receita milagrosa que, além de melhorar suas dores, rejuvenescia e tonificava a pele.
Muitas senhoras da corte, a exemplo da rainha, passaram a usar esta loção milagrosa, também, corroborando seus efeitos.

Dizem até que o Rei da Polônia pediu Isabel em casamento, mas ela recusou, pois já tinha 72 anos!
A Água de Hungria era antes chamada de Água da Rainha da Hungria e foi considerado um dos primeiros perfumes em base alcoólica.
Em sua receita, há óleos essenciais de alecrim e cítricos, água de flor e álcool.

Tem os poderes antioxidantes e tonificantes do alecrim, os óleos cítricos limpam a pele, deixando os poros desobstruídos, estimulando a circulação e com a ação calmante e sedativa da água de flor, a pele se regenera e cria outro viço.
Uso a Água de Hungria com muita frequência, pois tenho rosácea e ela ajuda a controlar este mal.
Muito bom depois de uma viagem, depois de passar muito tempo na rua, recebendo impurezas, após uma caminhada por estradas poeirentas, ao enfrentar o trânsito ou trabalho em ambiente empoeirado ou que deposita resíduos.

Para limpara a maquiagem.
Para vitalizar o banho.

Como loção pós-barba, ajuda na remoção de impurezas da pele que causam a foliculite ou outras irritações.
Contra urticárias e coceiras. Contra picadas de insetos e outras irritações.
Controla a acne de todos os tipos.
É excelente regulador do funcionamento das glândulas sebáceas, regulando o excesso de oleosidade, quando a pele é oleosa, e estimulando as glândulas a promover a lubrificação necessária à pele seca.
Aspirá-la desperta e anima.


Esta fórmula é adaptada, tendo como referência a fórmula de Piesse, modificada usando outros estudos.

Atenção!
A água de Hungria não é indicada para quem sofre de hipertensão, por causa do alecrim.
Também não é indicada para quem tem alergia a álcool ou fenóis.


Modo de usar: Molhe um algodão com água destilada, filtrada, mineral ou hidrolato. Retire o excesso deixando-o ligeiramente úmido. Molhe bem com Água de Hungria e passe sobre o rosto, colo e pescoço, com movimentos ascendentes. Troque o algodão, se necessário.
Se quiser um efeito refrescante, enxágue com água fria corrente. Se quiser um efeito duradouro, deixe sobre a pele o quanto quiser.
Pode ser usada diariamente, preferencialmente depois do banho.





terça-feira, 22 de agosto de 2017

"Despacito"

Despacito...


Sim, muitas saudades de ter tempo para escrever um blog!

As oficinas e preparos acabam tomando todo o tempo desta perfumista de amplo figurino.

Figurino amplo, quer dizer que vc faz, além de perfumes, muitas outras
coisas. Sabonetes, óleos corporais, manteigas, géis, méis, águas
florais, cremes, shampoos e mais produtos que o cliente queira ter e
usar. Você fala, eu faço ou pelo menos, tento.

Como perfumista, gosto de perfumar muito bem os meus produtos e não
tenho limites de gasto com isto. Prefiro o excesso que a falta de aromas
naturais. E não importa o preço, mesmo que seja difícil, eu irei atrás
do que você quer. As dificuldades nunca me barraram, embora tenham-me
feito esperar. Vou devagar e sempre!

O natural, também, me é muito importante, aliás, cada vez mais
importante. Em breve, estarei concorrendo a uma certificação, como perfumista 100%
natural e isto me interessa! Afinal, trabalhar com produtos autênticos
de perfumaria fina, de antiquário e coisas que não se fazem mais, é comigo
mesma!

Não estruturo meu trabalho em imitações nem competições. Não copio aroma, muito menos embalagem (cruzes!!!), pois não pretendo fazer algo extraordinário, mas exclusivo. Não quero criar compulsivamente, sem foco. Só quero trabalhar bem, mais devagar, bem direitinho, energizada, forte, feliz, para só influir positivamente sobre a minha querida clientela.

Um perfume meu dura anos e anos na mão do cliente, por ser objeto
especial, um perfume para usar em ocasiões especiais, em momentos
especiais. Perfumes dedicados.

Criar para o cliente, para mim, é uma honra e motivo de paixão.

O que me falta?

Sem queixas: tempo para atualizar minha página, escrever o blog,
participar de mais grupos nas redes sociais, fazer mais produtos e
principalmente, criar aromas para perfumes de linha - e muitas vezes,
repor perfumes de linha. Lycan e Robin, por exemplo, estão em falta e Juvena está terminando!

Quisera que o dia tivesse 48 horas úteis. Ter que dormir, com tanto que
fazer me dá até dor na consciência!!! Que pena é ser uma só...

As traduções e aulas na Academy são atividades paralelas, que desenvolvo
para aprender mais, para ampliar meu escopo, para me aperfeiçoar. Ainda
assisto aulas de perfumaria, sim, pois é necessário reciclar
conhecimentos, aumentar meus dados, me diversificar. Parar de aprender
ou retroceder causa uma coisa horrorosa aqui dentro da minha mente! Seja
lá o que for, gera insatisfação e mais busca.

Então aprendo mais coisas, pois quando eu ficar bem velhinha, quero ser
caduca em francês, inglês e falar minhas demências discorrendo sobre
química de óleos essenciais e espagiria.

Fico feliz de ver que muitos alunos e alunas estão criando suas
perfumarias, fazendo perfumes próprios, mesmo com o pouco conhecimento
que consigo passar em uma oficina de fim de semana. Afinal, ensino a
estudar mais, ler, ousar!

Tudo isto me alegra muito e estar satisfeita com a vida faz parte do meu
modo de ser. Passei por tantas e boas! Tudo foi surpresa e motivo para
crescer. Quero mais!!!!

Ano que vem, pretendo me dar mais folga entre uma oficina e outra, para
poder repor meus estoques, criar meus perfumes, fazer mais produtos,
re-montar minha lojinha e estudar mais. Volto de cada oficina mais feliz e completa, com  toda a amorosidade que recebo dos participantes, apesar do cansaço (99%  de gente incrível). Mas quero menos disto e mais daquilo.

Calibrar minha caminhada, direcionar meu barquinho para a vida que eu quero ter!!!
Devagar chego lá!
 


Despacito....

Sim, muitas saudades de ter tempo para escrever um blog!
As oficinas e preparos acabam tomando todo o tempo desta perfumista de amplo figurino.
Figurino amplo, quer dizer que vc faz, além de perfumes, muitas outras coisas. Sabonetes, óleos corporais, manteigas, géis, méis, águas florais, cremes, shampoos e mais produtos que o cliente queira ter e usar. Você fala, eu faço ou pelo menos, tento.
Como perfumista, gosto de perfumar muito bem os meus produtos e não tenho limites de gasto com isto. Prefiro o excesso que a falta de aromas naturais. E não importa o preço, mesmo que seja difícil, eu irei atrás do que você quer. As dificuldades nunca me barraram, embora tenham-me feito esperar...
O natural, também, me é muito importante, aliás, cada vez mais importante. Em breve, estarei em uma certificação como perfumista 100% natural e isto me interessa! Afinal, trabalhar com produtos autênticos de perfumaria fina, de antiquário, coisas que não se faz mais, é comigo mesma!
Não estruturo meu trabalho em imitações nem competições. Não copio nem pretendo fazer algo extraordinário nem criar compulsivamente, sem foco. Só quero trabalhar bem, direito, energizada, forte, feliz, para só influir positivamente sobre a minha querida clientela.
Um perfume meu dura anos e anos na mão do cliente, por ser objeto especial, um perfume para usar em ocasiões especiais, em momentos especiais. Perfumes dedicados.
Criar para o cliente, para mim, é uma honra e motivo de paixão.
O que me falta?
Sem queixas: tempo para atualizar minha página, escrever o blog, participar de mais grupos nas redes sociais, fazer mais produtos e principalmente, criar aromas para perfumes de linha - e muitas vezes, repor perfumes de linha. Lycan e Robin, por exemplo, estão em falta e Juvena está terminando!
Quisera que o dia tivesse 48 horas úteis. Ter que dormir, com tanto que fazer me dá até dor na consciência!!! Que pena é ser uma só...
As traduções e aulas na Academy são atividades paralelas, que desenvolvo para aprender mais, para ampliar meu escopo, para me aperfeiçoar. Ainda assisto aulas de perfumaria, sim, pois é necessário reciclar conhecimentos, aumentar meus dados, me diversificar. Parar de aprender ou retroceder causa uma coisa horrorosa aqui dentro da minha mente! Seja lá o que for, gera insatisfação e mais busca.
Então aprendo mais coisas, pois quando eu ficar bem velhinha, quero ser caduca em francês, inglês e falar minhas demências discorrendo sobre química de óleos essenciais e espagiria.
Fico feliz de ver que muitos alunos e alunas estão criando suas perfumarias, fazendo perfumes próprios, mesmo com o pouco conhecimento que consigo passar em uma oficina de fim de semana. Afinal, ensino a estudar mais, ler, ousar!
Tudo isto me alegra muito e estar satisfeita com a vida faz parte do meu modo de ser. Passei por tantas e boas! Tudo foi surpresa e motivo para crescer. Quero mais!!!!
Ano que vem, pretendo me dar mais folga entre uma oficina e outra, para poder repor meus estoques, criar meus perfumes, fazer mais produtos, re-montar minha lojinha e estudar mais. Volto de cada oficina mais velha, mais cansada, apesar de toda amorosidade que recebo dos participantes (99%  de gente incrível). Menos disto e mais daquilo.
Calibrar minha caminhada, direcionar meu barquinho para a vida que eu quero ter!!!
Devagar chego lá!

Despacito...
https://www.youtube.com/watch?v=tr-jRhC8Ric


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Industrianato????? No, thanks.

Produtos Ane* Walsh 
É muito bacana aceitar sugestões dos amigos e esta porta sempre estará aberta para eles. Adoro os palpites e toques e dicas de toda qualidade, mas...
Há certas coisas que não quero mudar na minha confecção.
Por que as etiquetas são feitas à mão? Por que não comprar etiquetas lindas, mandar fazer umas padronizadas, com figuras, etc? Por que estas etiquetas escritas à mão, que só ocupam tempo e dão trabalho? Você não quer crescer? Abrir uma loja? Enviar seus produtos para lojas e locais de revenda? Vender mais?

Eu digo um grande e sonoro, NÃO!!!!
Então vamos à explicação, voltando do fim para o começo:
Vender mais? Tá tudo bem, estou vendendo. Bem ou mal, nunca parei ou sofri crise. Vendo óleos essenciais para duas firmas, perfumes, sabonetes e cosméticos, na minha página, no Facebook, em Cambuquira, um pouco aqui, outro ali e vou indo, sem parar, alegrinha. Mais ainda? Talvez não desse conta.
Enviar produtos para revenda?  Pode ser, mas a loja tem que comprar. Não faço consignação por um motivo: se a loja não vende, o produto volta todo escangalhado. O prejuízo é maior que o lucro, quase sempre. Para mim, não vale a pena. Prefiro usar o produto em vez de sabê-lo mal tratado.
Ter uma loja? Não tenho condições de fazer um estoque tão grande assim. Trabalho sozinha e sou tão egocentrada que não permitiria que ninguém me ajudasse nem pagaria alguém para trabalhar para mim, pois a minha proposta não é esta.
Não quero crescer no negócio além do que posso produzir. Tenho uma idade em que não preciso nem posso mais correr e já faço muito além do que seria razoável, nas minhas condições físicas. Há outras atividades para desenvolver, que não quero abrir mão, como as traduções e escritas; como o Sítio Curupira, que eu amo; como cuidar da casa e do jardim (minha parte), que eu também curto e não quero nem vou parar. Minha vontade é pegar leve.
As etiquetas, como quase tudo que faço são feitas com as mãos. Está escrito na minha logomarca, "artesã perfumista". Este "artesã" é pra valer. Não quero nada que não seja artesanato, nem mesmo a etiquetinha de cada produto. Não quero tamanhos, embalagens iguais, não quero o padrão, a regra, pelo contrário. Minha cabeça anárquica não aceita mais que isso. Nada mais "profissional", "padronizado", caprichado e clean. Meu trabalho é amador (amador é aquele que ama), artesanal, em pequena escala e é assim que a minha banda toca.
Quem me ajuda? Meu marido. Ele cuida da parte do serviço da casa que ele mais gosta e ajuda muito, com isso. Estamos bem assim e vamos em frente sem atrapalhar ninguém. Há cumplicidade de velhos amigos em tudo que fazemos aqui. Enquanto pudermos, continuaremos ativos e trabalhando, mas cada vez em um ritmo MENOR. 
Somos muito ricos, à nossa maneira e nossa vida é um barato!
Precisamos mais que isso? Não. Estamos ambos contentes com o que temos e fazemos e não paramos de trabalhar, mesmo aposentados, pois somos humanos e não sabemos fazer fotossíntese, temos que nos manter ativos.
Ajudo a quem me pede, faço acontecer um monte de coisa legal, participo de muitas atividades, curto todas elas com intensidade, ensino tudo que sei, desejo boa sorte a todos os que de mim retiram ideias e conhecimento, faço o possível para ajudar, mesmo sendo "pobre"e "tosca".  Boa Sorte! é o que desejo a todos os que me cercam.
E quem compra meus produtinhos não está preocupado com o rótulo ou com a embalagem. Reconhece o que vai ali dentro, mal embrulhado e sabe a qualidade. De que me adianta ter um produto lindo que se decompõe? Fazer um perfume de três notas, pontudo, que muda de cheiro, chamado por aí de "pífio", sem qualidade? Um sabonete lindo, que tem cheiro insuportável embalado divinamente? Um produto que promete e não cumpre? Um perfume que faz desmaiar e passar mal, com cheiro de remédio, desinfetante, inseticida, bala ou algo assim?
Quero um trabalho de qualidade legal. Nem sempre consigo, mas me esforço bastante para que fique sempre em um bom nível.
Sigo em frente, com as etiquetas manuscritas e pintadas, saquinhos de papel, embalagens de vidro, reciclando caixas, em meu amadorismo de artesã de aromas.
A minha busca é atender uma clientela limitada mas boa, que eu conheço e me conhece e curte meus produtos. Assim mesmo, humildemente, sem loja, sem padrão (nem patrão!), sem profissionalismo. Só assim posso criar em qualquer lugar que eu seja ou esteja.

Podem tirar de mim até o travesseiro onde ela está apoiada, mas as ideias que fluem de minha cabeça, são minhas e vêm profusa e incessantemente.
Para quem tece críticas a este meu modo de ser, agradeço a preocupação e os momentos de energia de pensamento para a minha pessoa. 
Afinal, a pessoa, quando é a pessoa, é a pessoa, mesmo!...
 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Embalando

Embalar pode ser ninar e pode ser colocar na embalagem. Aproveitei o duplo sentido, mas o que me refiro é embalagem.
Embalagem muitas vezes é sinônimo de lixo. Sim, em um momento você tem um invólucro, que protege e enaltece a sua mercadoria e assim que abre, você tem... lixo! Talvez guardemos alguma embalagem bonita e resistente, que nos traga boas recordações ou é de alguma forma útil para guardar outras coisas, mas com grande frequência, embalagem acaba no lixo.
E quantas embalagens utilizamos!!!
Sabemos que as sacolinhas plásticas são uma nova cordilheira, no mundo, sabemos que os plásticos não degradáveis residuais serão eternos poluentes do solo, da água e do ar. Mas quais as opções de embalagens? Papel,que gasta um montão de água para ser feito, mas pode ser degradado pelas bactérias e reincorporado no ambiente, o vidro, que é feito de material natural mas demora uma eternidade e os plásticos ou outros derivados de petróleo, mais vistosos, baratos e duráveis?
A reciclagem dos plásticos é recente e deve aos poucos ir melhorando a qualidade dos produtos feitos com plástico reciclado (sacos de lixo, mangueiras pretas, caixas de bateria, brinquedos baratos, etc). Mas ainda assim, plástico é grande problema de lixo e poluente no mundo, então prefiro não usar embalagens plásticas em meus produtos.
Embrulho os sabonetes com papel. Uso adesivos de papel. Uso tecido, também, e vidro, claro, metal e muito plástico, também... Sim, nas bombinhas spray, em alguns recipientes (shampoo, sabão de barba, condicionador, etc), nas tampas de algumas embalagens de vidro. Os adesivos e fitas colantes, a maioria é plástica, embora use também papel.
O vidro é complicado, pois vidro novo é mais barato que vidro reciclado, portanto a tendência é comprar novo e fim. Tento reciclar o máximo possível, tanto os meus, quanto os de outras pessoas.
Procuro descartar o lixo da melhor forma, também.
Tomo cuidado com a água que uso e quando a descarto, a qualidade também é conferida. Por exemplo, quando não chove, a água de enxágue da máquina de lavar, serve para regar o jardim. Também a água que sai da sabonetaria vai diretamente para as plantas, pois sobram algumas gotas de óleos, que eu não gostaria que fossem se acumular nos canos de esgoto da cidade. Tenho conhecimento que um dos maiores problemas de esgoto, no mundo é a gordura, pois flutua fazendo camadas de espessura finíssima, às vezes monomolecular, interrompendo a comunicação entre o fitoplâncton e o ar, por exemplo, bloqueando a maior fábrica de óxigênio do planeta!!! 
Uma gota de óleo polui 15 litros de água. Já pensou nisso? Onde você descarta a gordura?
Você já ouviu falar em "fatbergs"? Gordura agregada com detergentes formando uma enorme placa de gordura saponificada dura, que se acola a lenços de papel, fraldas descartáveis e tudo que é espécie de lixo, formando verdadeiras ilhas flutuantes de lixo sobre os esgotos das grandes cidades.
Cuidado com isso!
Por que esta preocupação?
 Porque sei onde isso tudo vai parar e me parte o coração sabê-lo...
https://www.youtube.com/watch?v=0UQTO0SNd_E

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Muitos planos.

Eu bem queria ter escrito em janeiro. Não custaria muito uma postagem por mês, mas muitas vezes tem algum bicho pegando e nada de blog... 
Cá estamos, neste fevereiro um pouco mais longo e em pleno Carnaval!
Neste ano, pretendo ficar mais tempo em casa do que fazendo as oficinas. Explico: as oficinas são ótimas, porém eu sou uma só e é difícil segurar meu artesanato, porque é tudo feito com a mão, desde a etiqueta e os pacotinhos, os produtos, a limpeza, as remessas, tudo eu. Jamais consentiria que alguém mais mexesse nas coisas que eu faço. Tudo é vulnerável, bagunçável, quebrável, estragável. Um par de mãos que não soubesse direito do que se trata, tentaria colocar tudo "em ordem", jogar fora minhas preciosidades fedorentas, tentar "arrumar" cantinhos, que se mexer, estraga tudo!
Prefiro estar neste comando, do que me aborrecer muito mais. Sempre fui responsável pelo meu próprio lixo e arrumação. Nada de novo.
As oficinas roubam muito tempo e energia. A viagem é cansativa, embora sempre volte feliz, repleta, amando o que fiz e os participantes todos. Cheia de lembranças de todos, que quase nunca lembro do nome, mas as carinhas alegres eu não me esqueço...
No final deste mês estarei em São Paulo, na Aromaflora, para a 4ª oficina na loja da Beatriz Yoshimura. Estarei também firmando mais um projeto bem legal, com uma moça de São Paulo e iniciando mais um perfuminho soprado no ouvido pela compositora...
Em março, vai ser o II Congresso de Aromatologia, em BH, onde conhecerei o autor do livro que eu traduzi no segundo semestre do ano passado: "Fundamentos da Terapia Holística com Óleos Essenciais". Dietrich Gümbel vem aí para o lançamento do livro e da Editora Laszlo, com outros livros de outros autores, como a incrível parceria de  Fábián Laszlo com R.M. Gattefossé, um livro obrigatório para quem curte aromas e que promete ser genial!!!!
Esta festa eu não posso perder!
Novidades:
Agora existe Fádima, a sabonetaria. Um espaço dedicado a fazer sabonetes sem  melecar a perfumaria com sabão, sem o aroma do sabonete interferir tanto no aroma dos perfumes, sem ter que limpar vidrinho por vidrinho cada vez que espirra sabão na bancada... Ufa! Que trabalheira era fazer uma barra!!! Agora tudo está maneiro e as duas atividades, separadas, cada uma em seu nicho e habitat particular.
Depois desta tremenda reforma na casa, ela ainda prossegue, na parte externa. Preciso cuidar bem da água que entra nos cosméticos e sabonetes. Quero-a mais pura e mais limpa. Tenho um destilador, mas a água da rua (COPASA e tudo) é cheia de argila, vai acabar estragando meu destilador.  Verifico sinais de oxidação e rompimento do metal onde a argila fica depositada. Aparelho é bom, mas custa caro. Preciso de uma cisterna para coletar água de chuva bem limpinha, para destilar. Costumava coletar com baldes, bacias e panelas, mas não é uma prática aconselhável num tempo em que os pernilongos são, cada vez mais, nossos vis predadores assassinos. Não sou eu quem vai fornecer maternidade para eles.
Mas o que eu quero contar é sobre dois frasquinhos que estão enterrados desde o dia 2 de fevereiro, em homenagem ao mar e à Grande Deusa.
Refiro-me à Deusa ancestral, a grande Mãe da Natureza, a luz divina da Lua (Selene, Cilene), a mãe (Cibele) do trigo e do pão, da oliva e das messes, da criação e do gado, da fertilidade da reprodução e das colheitas. 
A Deusa, que existia antes de haver religião monoteísta. Antes de ser um só Deus, que deveria abranger o feminino e o masculino, mas que as pessoas interpretam como sendo masculino. Acredito que NÃO SEJA!
Deus, a divindade, é pai e mãe, está em todos os homens e nas mulheres, também. E está dentro e fora do planeta e nos organismos que nele vivem. Assim como a Deusa primordial também está presente, pois somos masculinos E femininos, com o predomínio de uma dessas formas do SER (nossos hormônios não mentem jamais!).

Creio que nossos valores mitológicos não devam se perder. Que o respeito aos mitos deve existir, que valorizaríamos muito mais nossos ancestrais, a vida e a natureza, se cultuássemos esses mitos todos, em vez de uma só face de Deus.
Estes dois perfumes encerrados no escuro e na umidade da terra irão florescer em algum tempo de maturação. Não determinei quanto tempo. Eles saberão. Estão encerrados em uma urna e perfumarão somente quando me avisarem.
Perfume fala!
Duas flores bonitas e noturnas estão sendo misturadas a madeiras, no seu tempo, no seu ritmo de difusão e amálgama, sem aceleração, a temperatura constante, no escuro da terra. Já tenho um perfume que foi feito assim e é um favorito meu, chamado GOVINDA. Ficou enterrado por um ano, para simbolizar e celebrar minha libertação.
Esta homenagem aos mitos, que desde muito cedo em minha vida me acompanham e regem meus dias, com o seu Saber.
Não tenho religião, tenho religiões. Não sigo uma, mas todas as que me soam verdadeiras, que resssoam em mim, como as cordas do violão vibram quando um som se harmoniza com elas. Todo caminho que leva ao Eterno é bonito. 
Ofereço meu ano à Grande Deusa primeva da Lua, que sempre me atende os pedidos.
"Senhora, minha Senhora, minha filha tem teu nome."


A Grande Deusa Sybel
Afresco dos primeiros hititas, cerca de 1500AC. 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Baile de Fim de Ano...

Há certos produtos que eu faço, que me dão trabalho! Processos demorados, complicados, para conseguir finalizar com um produto de boa qualidade. Durante estes anos que estou me empenhando em aprender a confecção de produtos perfumaria de antiquário, tenho apanhado bastante. E há um produto, na verdade o primeiro que eu criei, o sabonete de cinzas, que sempre me dá um baile, por isso, um deles se chama Cinderella. Há também o Casa Grande e o Oxé Dudu.
Desde o zero, o sabonete de cinza começa como na foto acima. Acendendo o fogão de lenha com as folhas da araucária, que pegam fogo loguinho e num instante acendem os galhos de jatobá. Escolho a lenha, sempre o que queima rápido por ser resinoso, vem na frente, como pinho, eucalipto, jatobá, quaresmeira. Depois as madeiras mais duras, que me dão uma cinza muito boa de potassa.
Você pode pensar, mas qualquer cinza não seria boa? Sim, pode acabar em sabão. Mas a minha vai virar sabonete...
Coleto a cinza com uma pá de metal e uma vassoura de capim, que eu também faço. Coloco gentilmente em meu caldeirãozinho de ferro, já todo sovado de cinza...
E trago para casa, para fazer a decoada. Percolo a cinza com água fervente, dela sai uma barrela escura, rica em sais minerais, principalmente hidróxido de potássio, a postassa cáustica, que vai reagir com os ácidos graxos das gorduras que eu selecionar e irá compor o sabonete.
No Casa Grande, uso soda cáustica, misturada com a potassa (faz tempo que não faço este sabonete lindo!). No Cinderella, somente uso soda, quando a minha barrela não ficou forte o suficiente para virar sabão, mas é raro. No Oxé Dudu, o combinado é não ter soda.
Muitos me pediram a receita. Eu já fiz até o passo a passo, mas francamente, é chato! Ninguém tem paciência de esperar cozinhando sabão durante dias a fio, às vezes semanas, para depois ficar curtindo meses e meses na forminha e depois secando para depois ser cortado.
Da fabricação à venda, o tempo é de 4 a 6 meses.
Primeiro ele vai para o tacho, para vaporizar a água, até estar em uma consistência leite condensado e vai então para o caldeirão. Desta panela de 5 litros, o rendimento aproximado será de uns 2 litros de sabão. o que dá uns 2,5 kg.
Ele encolhe bem!
Esta partida explodiu! Sim, a cinza contém enxofre, potássio, amônia, e enquanto o sabonete ferve, os ácidos graxos da gordura se separam da glicerina e BUM! Nitroglicerina, na parada!
Nesta hora, uma ligeira virada na colher e o sabão vira vulcão.
Aliás, sabonete de cinza é a maior razão de ter construído uma sabonetaria separada da casa! Estava cansada destas explosões vulcânicas dentro da perfumaria!!!
Não é à toa que São Floriano é protetor dos saboeiros e dos bombeiros! Viva!
Perigoso, né? E fede! Sim, são alguns dias de fedor de sabão de cinza invadindo a casa!
Outra razão para ficar lá fora!
Mas se é trabalhoso, complicado e perigoso, por que não paro de fazer sabonete de cinza? Porque o sabonete final é um produto incrível, que me vale o apelido carinhoso, de Xabru. As explosões são fenomenais (risada cavernosa)!!!
Depois que vai para a forma, ainda vai perder muita água. Você pode reparar, na foto acima, a marca inicial de nível do sabão, e quanto desceu. E vai descer ainda mais.
A água vai evaporando lentamente e o sabonete vai endurecendo. Sai para o corte como se fosse uma barra de doce de leite.
Na pele, seu efeito é suavemente esfoliante, rico em sais, equilibra o tônus da pele, deixa a pele super limpa, reduzindo as manchas, marcas de espinhas, pequenas cicatrizes. Tudo com toque de veludo.
Sempre tem alguém que diz:"Minha avó sempre fazia! Com a gordura usada da cozinha, com sebo, com banha de porco, com a cinza que estivesse no borralho e com lixívia de soda. Um sabão que era enrolado à mão e acondicionado em palhas de milho. Não tinha um cheiro nada agradável, mas era excelente para a pele!"
Mas minha barra de sabonete de cinza é feita com ceras, óleos, manteigas vegetais de primeira qualidade. Nesta última partida usei manteiga de ucuuba e murumuru, cera de abelha, óleo de dendê, coco babaçu, própolis. O toque aveludado e cremoso vem acompanhado de espuma rica e densa.
E o perfume! Para perfumar sabonete de cinza precisa ter experiência! Caso contrário vai gastar óleo essencial sem medida e continuará fedido.
"Ah! ensina o segredo?"
Não! Se explodir e você se queimar, a culpa será toda minha!
Assinado, Xabru!

domingo, 27 de dezembro de 2015

2015, um ano de muita atividade.

Neste ano que finda, viajei bastante. A primeira viagem do ano foi de lazer, para aprender, conversar, fazer contato, conseguir ingredientes. As outras todas foram a trabalho, dando oficina, conhecendo gente, ensinando o que aprendo e o que faço.
Foi um ano completo, que determinou o que será, daqui adiante. Com planos de trabalho, alguns desapontamentos, recompensas, alegrias, tristezas, ganhos, perdas, modificações, mudanças, revoluções e evoluções.
Apesar da alta nas moedas fortes do mundo, em comparação com o real, consegui não subir demais os preços, sem me prejudicar. Infelizmente, fica difícil acompanhar essas oscilações de moedas, quando a maioria do seu material de trabalho é importada.
O ano foi bom também no curso da Natural Perfume Academy, pois há uma turma determinada a estudar e produzir e isto, para mim é altamente compensador.
Além da perfumaria teórica, a prática foi intensa, também. Trabalhei bastante, embora pudesse ter trabalhado mais. A intenção é ativar a confecção de sabonetes, que ficou meio parada porque a confecção de perfumes foi maior, ocupando mais espaço do que a sabonetaria permitia. Agora foi ampliada. Vou ativar mais esta parte, também.
Durante o segundo semestre, traduzi um livro, que em breve divulgarei. Um trabalho bem legal, aprendi muito com ele. Ano que vem será o lançamento do livro, que tenho certeza fará muito sucesso em seu meio especializado, pois está muito bonito e é um livro muito bom. Muitas pessoas terão oportunidade de aprender com ele, também.
Agora, estou organizando a agenda para 2016 e já tenho um primeiro semestre bastante agitado!
Vou tentar ir atualizando tudo, por aqui, dando um resumo do que aconteceu.
Muito grata aos meus filhos queridos, ao companheiro, aos amigos do coração. Muito grata a 2015, por  tudo que consegui realizar.
A todos os leitores desta página, um grande abraço de Ano Novo e que reine a paz e o sucesso!

sábado, 6 de junho de 2015

PDD - Perfume do Dia: Ane Walsh Para Henrique Brito - Fleur de Canelle

PDD - Perfume do Dia: Ane Walsh Para Henrique Brito - Fleur de Canelle: Notas: Esprit de Rose Triple, Esprit de Fleur d'Orangeur, Esprit de Cassie, Esprit de Vanille, Canela, Amêndoas Amargas, Jasmim, Mimo...



Este foi típica perfumaria de antiquário.

Pensei em algo com feições antigas. Copiei uma fórmula de Septimus Piesse, meu velho amigo, e adaptei à canela, mas uma canela bem florida. Uns toques de leveza daqui, uma harmonia mais sintética ali, para combinar com o estilo do Henrique, uma inventividade acolá, para combinar com a imaginação picante que ele tem.

Ele diz que o perfume se parece com o Champs-Elisés, da Guerlain. Não duvido nada que esta casa famosa não tenha se inspirado também, nas ideias de Piesse...

Tenho faro!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Jardim de Monet

Queria conhecer os jardins de Monet.
Ver de verdade essa ponte tão bonita que ele retratou e as nymphaeae, sim, em latim, porque parecem ninfas. Em português parecem feias e isso não são.
O Henrique me deu a tarefa de colocá-las em um quadro de Monet, cheio de reflexos d'água e plantas em flor, dentro de um frasco de perfume.
Usei o tom terroso úmido do mitti attar, para começar, e lírio do brejo, cuja essência vem do rizoma aquoso e aromático, ligeiramente especiado. Usei vetiver, porque é raiz e fica bem em qualquer lugar que precise de uma tonalidade terra. E lotus attar, lírio d'água (que é exatamente a nymphaea branca) e umas combinações secretas. Algumas gotinhas de iso E super em baixa concentração, sugerindo a ponte de madeira, feita pelo homem.
Usei gulhina para simbolizar o cheiro de terra molhada, narciso, para as margens do riacho.
E muitas outras essências secretas misturadas com cuidado, na medida certa.
Dos perfumes que fiz para o Henrique, é o que eu mais amo.
Monet buscava pintar as imagens refletidas na água, eu procurei refletir esse reflexo.
Dei o nome da família botânica a que pertencem essas lindas flores, que parecem ninfas das águas lênticas.
NYMPHAEACEAE.

Se quiser saber o que o Henrique falou, aqui está o link para o seu blog, PDD - Perfume do dia.

http://pddperfumedodia.blogspot.com.br/

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Shwarzwald...

Uma vez, fui para a Alemanha, de trem, para München. Passando por uma floresta escura eu vi uma família de corças. Aqueles lindos cervos com chifres retorcidos, não, eram as corças e os filhotes, em bando. Ficaram observando calmamente enquanto o trem passava e eu, chorando de emoção ao ver pela primeira e única vez aquelas criaturas tão lindas, que logo saíram pulando em um baile descontrolado, para dentro da floresta dos Irmãos Grimm. Era cedo, muito cedo, acho que no trem inteiro, a acordada era eu...
Também é dessa época tão longínqua, a lembrança da torta Floresta Negra supimpa que minha ex-sogra fazia.
Sim, era a autêntica, com cerejas no bolo nevado de chantilly...
Foi pensando nesta direção, que fiz o perfume do Rick.
A esta época, tinha acabado de sair um novo óleo essencial na Laszlo, de folha de pessegueiro. A minha avaliação do aroma, dizia: Intenso aroma de cerejas. Daria para compor um bolo!
Logo em seguida o Henrique me veio com essa ideia!!! Sincronicidade.

Leia a visão do compositor do brief em 

http://pddperfumedodia.blogspot.com.br/2015/06/ane-walsh-para-henrique-brito-floresta.html
 Estou ficando tão metida!!!

terça-feira, 2 de junho de 2015

PDD - Perfume do Dia: Ane Walsh para Henrique Brito - Mokka Lounge (aceita um cafezinho?)




 Ambiente de "lounge" de um piano-bar Costa Cafe, em Londres. Poltronas de couro, ambiente intimista, cafezinhos deliciosamente servidos com chocolates e biscoitinhos.

  Para compor Moka Lounge
Pensei em um ambiente parecido, talvez um pouco mais intimista, menor, menos iluminado, mas mais ou menos assim.
Mas o café do Costa me parecia pouco...
Queria um café fresquinho, torrado e moído em casa, servido com bolo de coco, no fim de uma tarde friorenta, perto do fogão de lenha. Não servia outro tipo. Aquele velho Moka, que cheirava tão bem!!!
Junto com estes elementos, compus um couro também diferente do feito com a velha combinação de bétula ou wintergreen e sim, usando paramela, fabiana e palo santo, para compor o que batizei de "couro argentino", pois os três ingredientes vem da Argentina.
O Henrique ficou satisfeito quando recebeu, mas agora o perfume maturou e ficou ainda melhor... AH! muito lindo!



PDD - Perfume do Dia: Ane Walsh para Henrique Brito - Mokka Lounge: Notas Mokka Lounge:  Paramela, fabiana, palo santo. tintura de labdanum, tintura de íris, sandalo mysore, buddha wood, zdravetz, massoia,...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Papier d'arménie

O que acontece com um perfumista "'couture"' é engraçado. O tempo todo está criando, portanto é para quem gosta de criar em bastante quantidade. O tempo todo está com um brief diferente nas mãos, o que é excelente para gente turbinada. Há uma fila, portanto vc tem que fazer tudo bem rápido. A criação é como na indústria, atrelada ao brief, limitada pelo cliente e pelo tempo, regrada pela obediência. Você tem liberdade para usar sintéticos, isolados, naturais, o que bem o cliente entender. Você pode interferir nas ideias e dar muitos palpites mas a liberdade é condicional. Gosto de tudo isso. Aprendi fazendo poesia, que o verso branco pode ser lindo, mas existem trovas, haicais, sonetos, com suas rimas e métricas, regras que vc deve tentar obedecer, senão não tem técnica. E a técnica é bem importante!
Com isso, a experiência é bombástica, pois você faz muitíssimos perfumes sempre e sempre, aprende muito de teoria e prática e realmente coloca as mãos à obra.
Lembro-me, com certa nostalgia, do tempo em que ficava a me deter em uma criação, por meses, até concluir um perfuminho, que poderia ser legal ou não.
Agora, todos tem que ser bacanas, pois as minhas ideias contam mais, na hora de harmonizar, de confeccionar, de equilibrar a fórmula para concluir o perfume, cujo brief me foi passado pelo cliente, cujas notas foram escolhidas e desejadas pelo cliente.
Só eu sei o quanto cresci e me aperfeiçoei nesta atividade. Enquanto perfumista, minha técnica evoluiu exponencialmente.
Com as atividades nas oficinas e curso pela Natural Perfume Academy, meu tempo se reduz ainda mais. Então fico com muitos "ovos de perfume" estocados na cabeça, sem fazer, pois não há tempo e quando há tempo, há algo urgente que precisa ser feito, antes de compor os meus negócios.
Agora um armário novo para bagunçar a vida em prol da organização da minha tralha, urgente-urgentíssimo!!!
Afinal, não há tempo nem de fazer as criações antigas, tais como o sabonete de mel, os de perfumes raros, como oud, rosas, flor de laranjeira, jasmim, lótus... Agora, não está dando mais tempo nem de fazer aqueles mais comuns, como o de calamina, de índigo, de carvão...
Estou precisando de mais um par de mãos, de mais umas 24 horas em cada dia, para poder dar conta de todas as atividades e o que me dá mais vontade de fazer, nessas horas é queimar papier d'armenie e divagar num blog...
Obrigada, Amanda!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Black Himalay


Black Himalay foi o perfume da vez!
Considero este perfume Noir uma grande criação.
A grande designer-perfumista Simone Shitirt, é o "nez" que eu precisava ter, como contraponto.
Com ela, minha conexão com o cliente se faz cada vez mais forte. Com nosso contato aprendi muito. Aprendi principalmente a me deixar de lado e somente casar muito bem o brief que ela me fornece. Com isso, os outros clientes lucram, pois nossa conexão fica mais fácil e forte, portanto maior é a probabilidade de nosso perfume dar certo.
Quando montamos um perfume, o cliente e eu, fazemos uma dupla musical, com canto e contra-canto, em harmonia bonita. Junto com os aromas, compomos uma sinfonia com uma orquestra aromática. O cliente entoa e eu sou o instrumento por onde passa seu sopro. Quanto maior a sincronicidade, melhor.
Com Simone, aprendi isso e a me soltar em suas melodias. Não me dá nenhum receio de criar - e ousar.
Buscamos juntas a luz e se eu for conduzida às regiões das trevas, vou sem medo de errar.
Leiam seu depoimento, em seu blog, "+ Que Perfume", sobre nosso trabalho conjunto, a sua criação em chiaroscuro, "Black Himalay".

http://maisqueperfume.blogspot.com.br/2015/05/black-himalay-edp-my-very-own-blend.html?spref=fb

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Propaganda enganosa? (3)

E por falar em sintéticos...
Na perfumaria industrial, compor um perfume não deve ser nada fácil. Imagine.
O perfumista recebe um brief. Nesse brief vem a ideia do perfume, a "molécula*" que ele vai ter que usar, quanto ele irá gastar, tempo determinado para apresentar um perfume, junto com mais 7 químicos. Dessas 8 amostras, é retirada uma, deixa-se uma na reserva e as outras 6 passam para o arquivo particular do perfumista que a compôs. Em cada 20 tentativas, é certo que o perfumista consiga em torno de 3 sucessos.
Com seu perfume eleito, irão perfumar um ambiente, uma linha de cosméticos, um sabonete, um produto de banho, um shampoo, um desinfetante, um sabão em pó.  Perfumista designer de perfumaria famosa, com vidros requintados e comercial na TV é a ave mais rara. Deve ter uns 250 no mundo e não tem lá muita liberdade para criar...
Quanto ao termo natural, então, a confusão é generalizada.
 O que é natural? Um aroma que veio da natureza ou parece ter vindo da natureza ou que imita a natureza.
Pois há os aromas dos óleos essenciais, que são produzidos a partir da própria planta; os idênticos ao natural, que são aromas montados a partir de compostos naturais (sintetizados no lab, mas que a natureza também produz ou isolados de outra fonte), imitando a composição do óleo essencial natural, e o sintético, que é um aroma que a natureza nunca produziu.
A indústria sempre irá preferir trabalhar com o sintético ou com o idêntico e não é só preço o diferencial. Há muito óleo essencial barato (laranja, limão, alecrim, capim-limão, lavanda, patchouli) e essência muito cara, como as ironas, os sandalores, geosmin, jasmone etc.
É que o óleo essencial da planta apresenta muita variação de partida para partida. Às vezes a procedência não é a mesma: a rosa búlgara é diferente da marroquina; o lavandim grosso da França é muito inferior ao da Patagônia; a tuberosa de Grasse é mais refinada que a indiana, a íris de Florença é a melhor do mundo.
Mesmo dentro da mesma procedência, há variação, pois um ano chove demais, o outro é mais seco, a variação no teor de água e luz, já irão fazer o óleo presente no vegetal ser de qualidade diferente, prevalecendo uma faceta ou outra.
Também há os problemas políticos, que influem, e muito: a guerra da Somália, faz com que o fornecimento de mirra vinda de lá fique precário. Rosa de Damasco????? O incentivo para o plantio de cana, no Brasil, derrubou e muito a produção de laranjas e cítricos, em geral.
Tudo isso sem falar no fator transporte, manipulação, processo de destilação, destilador usado, pressão de vapor, técnicas, etc.
O produto industrial não tem variação, portanto fica mais fácil se obter um perfume padronizado, com as moléculas* certinhas, com suas características mais uniformes, para vender em quantidades comerciais.
Além disso há o fator ecológico/econômico: Se a União Europeia quisesse produzir morango para o fabrico de flavorizante sabor/aroma morango. Não haveria território para que se plantasse mais nada. O flavorizante sabor/aroma morango é o de maior demanda no mundo inteiro e é usado desde o recheio do wafer até o shampoo, do iogurte ao chocolate recheado. Bate até a baunilha!!! O sintético é providencial, pois se formos aromatizar e flavorizar o mundo, com aromas óleos essenciais naturais, não há natureza que chegue.
Mas e aí? Deu para entender o que é natural?
Agora vou parar, senão não faço mais nada.

* Molécula, no caso, se refere à substância criada por outro perfumista, na indústria de essências, que agradou o perfumista de marketing (traduz o que o público demanda para o perfumista que irá confeccionar o perfume e vice versa). Molécula também é outro conceito esquisito, em perfumaria.

sábado, 9 de maio de 2015

Propaganda enganosa? (2)

E bergamota, então? Todos os gaúchos, catarinenses, paranaenses, acham que bergamota é mexerica, que é mandarina, em perfumês. Não é! Bergamota é outro cítrico, de sabor amargo/azedo. Sua casca tem aroma floral e não a pungência da mandarina. É menor, mais redondinha e seu aroma é melhor quando é a zest, com a casca ainda verdinha. Na Sicília, sul da Itália, Ásia Menor, Norte da África. 
É com o aroma da bergamota que se aromatiza o chá Earl Gray. Que delícia!
Adoro bergamota, não tenho nada contra a mandarina, mas é outra espécie, outra flor, outro fruto, outra coisa.
Aí vem o que se chama de nota. Que cacofonia!!! Nota pode ser um aroma, com que se compõe um bouquet. Um aroma que pertença a um acorde. Pode ser uma nota sintética, uma natural (o que não quer dizer que seja um óleo essencial de nenhum vegetal), ou seja, aroma de rosa, por exemplo, é natural, embora possa ser uma essência de rosa o aroma de que se fala. Pronto!!!! Que confusão.
Uma nota, então podemos chamar de aroma. um só, singular. Uma nota.
Vejamos uma pequena lista de notas naturais que não correspondem ao óleo essencial da planta.
morango, pêssego, maçã, melancia, abacaxi, cereja, frutas, em geral. Tudo sintetizado em laboratório. Mas naturais porque são aromas que imitam a natureza.
Oud.
Em perfumes comerciais, o oud é sempre o mesmo: sintético. Um oud mais seco, que imita o Assam Indiano. Mas cada oud natural tem uma característica própria. Talvez amadeirado, amargo, às vezes com acentos de cacau, amendoim, suor. Musgo, bolor, às vezes um fantasma, uma presença, um "ruh". Terroso, molhado, edáfico, canforado, medicinal, amendoado, florido, fecal, aéreo, aroma de curral, cada um é único. Não tem um oud só medicinal, com aquele cheiro de bandaid usado, que tem o sintético. É uma nota (olha a nota) rica e variada e não pode ser colocada em um só compartimento. Perfumaria natural tem suas nuances!
E assim vamos. Continua...

sábado, 2 de maio de 2015

Propaganda enganosa?

Não se iluda com nomes pomposos. Muitas vezes, a planta que desprende o aroma está ali do seu lado.
Há plantas brasileiras que estão presentes em muitos perfumes de casas finérrimas.
favas de cumaru ou tonka

A campeã disparada é a "fava tonka" (Dipteryx odorata), conhecida localmente como fava de cumaru. Dá tonalidade doce, compõe as notas carameladas.

Também do Norte, há "bois de rose" (Aniba rosaeodorata), o pau rosa, que de tanto ser extraído, acabou ficando ameaçado de extinção. Ainda bem que há na ilha de Silves, uma plantação sustentada, que é onde se obtém pau rosa Ecocert.
Mandarina (Ah! Cheirosa!) é mexirica (Uh! Fedida!).
Cilantro é a folha de coentro. Coentro é a semente.
Âmbar, então, tem de três tipos:
1- Âmbar fóssil.
Resina de coníferas fossilizadas desde o Carbonífero. As árvores cicatrizam suas feridas com seiva. Algumas seivas se transformam em resinas. A seiva das coníferas é abundante, translúcida e de cor ambarada, variando desde o marrom até o amarelo citrino. Costuma aprisionar os bichinhos que são atingidos pelo derramamento de seiva. Cola, de verdade. Com os milênios, aprisionada dentro da terra, essa resina se cristalizou em gemas de âmbar fóssil.
Esta resina muito pouco tem a ver com aroma, perfume e perfumaria. Alguns fizeram  a destilação do âmbar fóssil triturado e o aroma é bastante esquisito, de resina queimada. O âmbar é usado em joalheria artesanatos finos, como cabo de bengalas chiquérrimas, enfim, como artigo de luxo.
2- Ambargris - Poderoso fixador e nota de realce, em perfumaria. Trata-se do vômito e do cocô do cachalote. Endurecido e curtido, flutuando abaixo da linha d'água, no mar tomando sol e chuva, durante muito tempo, até encalhar em alguma praia.
 O cachalote se alimenta de lulas, que apresentam mandíbulas em forma de bico de papagaio,  que durante o processo de digestão, arranham as paredes do tubo digestório do cachalote. Esse bico então é envolto por sucos digestórios e restos alimentares, formando uma bola, que é eliminada em forma de vômito ou de fezes, tanto faz. O ambargris é aromático. Tem cheiro de mar, de perfume, de gordura e de cocô. Tudo ao mesmo tempo. Foi muito usado na indústria de perfumaria, mas devido a seu preço ser muito elevado e a indústria química conseguir sintetizar em laboratório bons substitutos para o ambargris, a perfumaria industrial do mundo todo usa ambares sintéticos.
3 - Acorde Âmbar, Base âmbar ou "Amber Antique" -  Procurando imitar o efeito e fixação do ambargris, muitos perfumistas compõem seu acorde âmbar. É um blend feito com benjoim, labdanum e baunilha em diferentes proporções (cada perfumista, que sempre vai querer dar um toque pessoal, mudando as proporções de cada elemento, colocando alguma nota  a mais na sua base âmbar). Então temos dois ingredientes naturais importantes na perfumaria que se chamam âmbar, fora as variações sintéticas desses mesmos ingredientes. Também existe a possibilidade de destilação do âmbar fóssil! Portanto, imaginem a confusão.

Vou continuar este assunto. Agora me cansei!



Aventuras de uma calabrisella.

Messina vista da balsa (no dia seguinte... claro!).

Sempre que viajamos, eu tenho que garimpar meu dia de OE e matéria-prima. Tenho, por direito, mais que as 24 horas que me são concedidas, mas desta vez foram somente umas 4 horas de uma tarde e mais umas 4, de uma manhã. O local era Messina, na Sicília.
Mas para me ajudar, meus avós eram calabreses e isso não é pouco. Calabrês tem fama de testa dura, cappatosta, aquele que quando enfia uma ideia na cabeça.... ai ai ai!
Só para ilustrar:
Era uma vez um calabrês que decidiu ir para Roma, a pé. Andou muitas léguas e apareceu Jesus e disse: "Para onde você vai?" "Para Roma".
"Mas a pé? sem sapato? é muito longe! Você não vai porque eu vou transformar você em um sapo e você vai ficar no brejo durante um mês!"
Depois de um mês, o calabrês, tranquilamente segue caminhando. Quase em Nápolis, chega Jesus e diz:"Não é possível que você seja tão obstinado! Se Eu disse que você não vai para Roma, é porque você vai ficar um mês naquele charco, transformado em sapo!"
Depois de um mês, ele continua caminhando e quando tinha que cruzar as montanhas, Jesus apareceu novamente. E antes que Jesus pudesse falar alguma coisa, o calabrês avisa: "Eu vou para Roma e o brejo é alí."
Sei falar algum italiano, suficiente para manter uma conversa fácil. Entendo mais do que falo, mas me viro bem.
Chegamos a Messina por volta do meio dia, fomos procurar um lugar para comer, nos indicaram um, bem debaixo do nariz, mas como tudo nesta minha vida é complicado, andamos quilômetros até acharmos uma tratoria, bem sofrível.. Antipasto contado, vinho muito ácido, comida meio repetitiva, pouca salada.
Ao voltarmos, a ideia na cabeça: preciso ir atrás de óleo essencial. Tinha falado de antemão com o primo, que tinha topado ir junto comigo, estava tranquila.
Se precisasse de mais dinheiro, ele me emprestaria. Entrei na net, e eles foram "descansar um pouco". Eram 2h e 30 min.
Nosso hotel era mais soturno que a Catacumba dos Capuchinos, em Palermo. O porteiro sinistro, sorriu quando pedi para ele me fazer uma ligação para a fábrica de OE. Sorriu dizendo, "No facciamo la telefonata in questo hotel! A la staggione, tu cerca il telephono pubblico".
Pedi informação a uma mulher que atendia a loja de revistas. Me deu um olhar de Medusa e, com fúria, me indicou a direção do telefone.
O primeiro da fila (de três), estava sem fio, o segundo estava enguiçado e o terceiro funcionava, mas apenas com moedinhas de 20c e eu tinha somente quatro. Tentei trocar mais, mas ninguém tinha. Até tornei a encarar a Medusa, que se recusou a me responder.
Com meu intalhano, fui falar ao telefone e consegui dizer que era brasileira e trabalhava com perfumaria, que queria ir à fábrica, se era possível. Veio a resposta longínqua, precisa marcar horário com antecedência.
Veio o lado realista colocar ordem:"larga a mão disso, Sagulla, não vai dar certo!" E fui direto ao rank de taxis. Um taxista que tinha me dado informação sobre como encontrar nosso fantasmagórico hotel (urgh!), mandou-me à frente da fila. Fui e perguntei se ficava muito caro para ir à fábrica, que ficava na zona industrial, em um subúrbio. "È lontano!" e o tempo mudava rapidamente. Nuvens negras se agitando no céu e perguntei quanto tempo levaria, se ele ficaria comigo enquanto estivesse na fábrica, ele disse que sim, mesmo porque eu jamais conseguiria um taxi de lá, para a cidade..... E ficou então combinado que ele me levaria por uma certa exorbitância.
E o lado realista, mais uma vez, disse: "é loucura, deixa pra lá..."
Entrei no taxi e falei, andiamo!
Desabava o maior toró. Perguntei ao taxista se ele tinha celular e ele prontamente ligou para a fábrica, conversou com a gerência, pediu o favor de me receberem, pois eu viajaria de Messina no dia seguinte e não haveria tempo de conversar, blá blá, o rapaz era bom de conversa e já estava se tornando meu amigo. O dono concordou se chegássemos antes da fábrica fechar, às 5h e 30 min. E já passava das 4h. Perguntei para o Silvio, quanto tempo leva? Ele me deu uma piscada e falou: "dieci minuti" e transformou a van em um hidro-avião.
Chegamos sob chuva pesada e fria, num bunker com uma tremenda porteira de aço. Cancela alta, eletrônica, Silvio falou no interfone, abriram a cancela.
Saímos para a chuva, sem proteção, diante de uma parede com uma porta de aço, como dois pintos molhados e fomos direto para as nuvens. Aromas deliciosos todos compondo um perfume todo especial, daquela fabrica de aromas.
Creio ter intimidado um pouco o Signore Luigi com a minha ousadia. E foi recíproco, pois quando eu pedi neroli ele falou que o representante da Shiseido tinha levado os 5 últimos litros e que só havia restado menos que meio litro. Respirei aliviada! Pedi 100ml (na verdade, devia ter pedido menos se tivesse mais juízo). Também a cidra, que pedi 250ml, só poderia ser vendida num peso mínimo de 2 quilos!!! Minha conta foi mais cara do que o dinheiro que eu tinha. Nem pestanejei, pedi dinheiro emprestado ao taxista, que já era como filho. Paramos no banco para tirar dinheiro com o cartão, para pagar a corrida.
E voltei ao hotel tiritando, com a garganta fechando, mas pisando no tapete vermelho, segurando o Oscar.
PS: E a pergunta final do Signore Luigi: " Dove a imparato italiano, signora?"
"I miei nonni erano calabresi" Ele se deu um tapinha na testa e muitos risos, para terminar nossa conversa.