Anuncio o falecimento da grande perfumista independente Mona di Orio.
O mundo perde uma artista.
A magia de produtos cosméticos aromatizados com óleos essenciais naturais, infusões e tinturas de plantas, a intensidade dos aromas balanceados dentro da mente do perfumista, para remeter a outros momentos, para tocar a Essência do Tempo. Este blog fala de óleos essenciais de aromaterapia, de perfumes, sabonetes, cosméticos e muito mais. Etéreo e sensível. Aromas e memórias de toque suave.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Oxé dudu
Há muito sou encantada com os sabões antigos, tradicionais, como o Aleppo, o africano, o de leite de cabra, o sabão da costa, que era importado pelos portugueses desde 1620.
O Sabão da Costa ou Osé dudu, como era chamado pelos africanos, era o preferido dos escravos e libertos. Era oriundo de uma área entre Gana e Camarões, Nigéria, Benim, Togo. Era assim chamado porque os portugueses chamavam de A Costa, a costa atlântica do continente africano.
De acordo com a literatura que encontrei, o Sabão da Costa é um sabão sólido, de cor parda escura tendendo a preta, feito com ervas medicinais, como o nó de pinho, benjoim, óleo de coco, dendê e ervas (¿?).
Promove profunda limpeza corporal, combate a caspa, cravos, espinhas, manchas escuras, coceiras e fungos do couro cabeludo, controla o mau cheiro produzido pelo suor, além de ser usado para banhos de descarrego pelas religiões africanas.
Li uma receita e é feito basicamente de decoada de cinzas e sebo de vaca, perfumado com as ervas e acrescido do dendê e do coco.
Depois de muito tempo sendo importado e vendido aqui no Brasil, no início do século XX, o Sabão da Costa foi registrado e patenteado. Quem segue contando esta história é meu amigo Eduardo, que tem a patente e registro do Sabão da Costa Perfumado, cujo nome foi surripiado pela perfumaria Kanitz, doRio. Vejam que história mais complicada!
http://www.sabaodacosta.com/
Ao entrar neste link, clique em
Um pouco de nossa história e você lerá um texto incrível.
Publiquei aqui, porém não aparecem as fotos. Visite o site, que é melhor!
QUEM SOMOS
Especial
autodidata, aprendeu no dia-a-dia o que não se aprende na escola. Era
um visionário - no bom sentido - que se dedicava, com afinco, ao estudo
da Botânica aplicada a tratamentos que fizessem bem a seus "fregueses";
de caderno. Em pouco tempo, Augusto aprendeu francês - idioma comercial
da época - com a mulher Elvira, assim como montou a maior biblioteca
sobre Botânica no país para seu próprio uso. Logo passou a se
corresponder neste idioma com professores e comerciantes das partes mais
díspares do mundo como
Índia e Suécia. Dentre os cinco filhos escolheu Rubem, para seguir
seu caminho profissional. Ele não recusou e formou-se em Farmácia e
Bioquímica. Em 1957, Augusto fundou , aos 68 anos, com seus quatro
filhos vivos, na época, FLORASIL, atual detentora da marca
SABÃO DA COSTA® .
![]() O CARTÃO COMERCIAL DA LOJA
Esta história cheia de altos e baixos ainda tem continuação.
Neste momento, fim de ano, estou fazendo uma cópia do Sabão da Costa, com apoio do Eduardo. Tentei fazer o mais autêntico possível, com o maior refinamento, para que fosse o mais parecido com o sabonete de perfumaria, não com o rústico sabão de cinza. Bem perfumado e sem gordura animal, feito à mão, contendo cinzas, nó de pinho, carvão ativado, benjoim da Sumatra, dendê, coco, e as ervas ficaram por minha conta.
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sábado, 3 de dezembro de 2011
Ainda sobre sabonetes
Bem, agora, vamos falar de preço.
Algumas pessoas me criticam, dizendo que se eu cobrasse menos, venderia mais. Sem dúvida, mas é uma questão de diversas faces:
1- A matéria prima usada.
Na maioria das vezes, a base que se compra na lojinha do artesão é feita com estearina (de sebo) animal. É mais barata. Este é um odor que eu não quero em meus produtos. Meu nariz acusa de imediato.
Lauril (desengraxante e detergente lauril éter sulfato de sódio ou lauril sulfato de sódio, cocamida) para aumentar a espumação. Arrepio até com a palavra, sou uma pessoa que desenvolve alergias com grande facilidade e lauril é uma delas.
Para aumentar a espumação, uso açúcar (pouco, senão as formigas vem comer seu sabonete) ou mel.
Aliás, espuma não lava, só castiga a pele. É ilusão pensar que espuma é o que limpa. Você pode fazer uma bela limpeza só com óleos ou cremes, por exemplo. Espuma zero.
Faço os meus sabonetes com óleo de palma e palmiste refinados apenas para tirar o aroma forte, uso óleos de girassol, buriti, castanha do Pará, copaíba, noz pecan, macadâmia, avelãs, andiroba, azeite de oliva virgem, de dendê, de semente de uva, óleo de amêndoas doces, germe de trigo, linhaça, jojoba, babaçu, argan marroquino, manteiga de karité virgem africana, manteiga de abacate, germe de trigo, de cacau, cupuaçu, murumuru, cera de candelila, de abelha, estearina vegetal, de boa procedência.
Raramente uso fixador de aromas artificial.
Como antioxidante, uso vitamina E, C, B5. Como antimicrobiano uso alfa-bisabolol de candeia, óleo de copaíba, própolis. Como conservante, o optiphen ou álcool, indicados para produtos naturais.
Como tensotivo, somente os hidróxidos de sódio e potássa de cinza. Biologicamente corretos.
Material de boa qualidade e importado, custa muito dinheiro.
2 - Quantidade.
É claro que uma indústria precisa fazer grandes quantidades de produtos. Para isso tem que exagerar na segurança, pois uma perda de material pode ser catastrófica. Esteja preparado para entrar em contato com conservantes e antibióticos.
É claro que um sabonete industrial deve ter aroma característico e forte. Aroma é a melhor isca para ganhar o cliente.
Aroma característico significa: sempre o mesmo, nunca mudar, ter sempre a mesma intensidade. Todos os ingredientes pesados e medidos para serem os mesmos.
O preço dos aromáticos varia muito. Fica óbvio que o aroma sintético é bem mais barato que o natural. Raro ou nenhum sabonete industrial tem aromatização natural. Não seria comerciável, haja natureza, para suprir toda essa perfumação!!!
Eu uso óleos essenciais 100% naturais, extraídos diretamente das plantas; extratos de fitoterapia (macerações, tinturas, infusões, pós botânicos, glicolatos, chás, etc); concretos, absolutos, ceras florais resultante da extração industrial das flores e plantas; resinas, seivas, bálsamos, oleoresinas; enfim, material de perfumaria de antiquário, que é como eu sei trabalhar. São produtos de nicho, diferenciados.
Em alguns casos, uso as essências de "Mr. Krishna", um mestre indiano da composição de essências, que usa material isolado, poucos sintéticos e óleos essenciais para compor aromas finíssimos. Importo diretamente dele. São exclusivas, aqui no Brasil. Todas em soliflor*.
Minha produção é de no máximo 4 quilos de uma vez, tudo feito à mão desde o "pega-se uma gamela".
Outro quesito importante. Meus produtos são vivos. O tempo na prateleira é limitado. Isso sempre gera alguma perda, se o lote não for consumido dentro da validade. Sabonete hidratante tem uma validade de no máximo dois anos, dependendo de diversos fatores, embora quanto maior o tempo de cura, melhor o sabonete. O maior problema é que o aroma pode ir embora.
A produção não pode ser muito grande para ser consumida rapidamente.
3 - Padrão
Produto artesanal não tem padrão. Não repito forma, cor, perfume. Cada partida é um sabonete um pouco diferente e a produção é limitada.
Você pode escolher o aroma que quiser para uma determinada massa, pode escolher a massa que bem entender, os ingredientes que quer ou precisa em seu sabonete.
Pode mandar fazer o que lhe interessa, encomendar a forma que quiser, enfim, sob medida para você.
Se quiser um produto exclusivo seu, pode pedir. Farei o possível para lhe agradar.
Este requinte não é possível com produtos industrializados.
Os sabonetes podem ser decorados também, de várias maneiras.
4 - Qualidade
É claro que um produto assim não pode ter o mesmo preço que o feito na fábrica, porque também dá muito trabalho, desde o início. Leva muito tempo para ser feito.
Tem a formulação, a manufatura (que faz muita sujeira, portanto tem horas e horas de lavagem e limpeza), tem a embalagem, a contabilidade, a remessa, viagens e fretes, taxas alfandegárias, bancárias, de loja virtual, página, hospedagem, a propaganda e a venda, geralmente feita sempre pela mesma pessoa (eu). Complicado!!! Nem sempre somos bons em tudo.
5 - Ambiente
Também o impacto ambiental dos meus produtos, quer na fabricação quer no uso é considerado. Sabonete não é para ser poluente. Portanto o meu não contém detergentes nem aditivos poluentes de espécie alguma.
Também respeitam sua pele, suas roupas e os perfumes que você irá usar.
Não agridem o ambiente, não agridem você, deixando sua pele fresca e saudável, sem a necessidade de muito outros cosméticos para mantê-la assim. Esta é uma maneira de economizar bastante no cuidado com sua pele. Usando bons sabonetes você gasta menos em cosméticos.
Esses são os fatores principais por que sabonetes de fábricas não podem ser comparados com os realmente artesanais e mesmo entre artesãos as diferenças são muito grandes.
É o consumidor de nicho que deve observar estas diferenças.
Quem sabe um dia...
* Aroma de uma só planta.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
sabonete Tonkin (aroma de mock almíscar)
Sobre sabonetes artesanais
Muitas pessoas me questionam sobre como faço meus sabonetes. Algumas ficam horrorizadas quando falo que levam soda cáustica e dizem que "não usam nada com soda na pele".
Falácia!
Para que haja sabão, é necessário que haja uma reação química chamada saponificação que, trocando em miúdos, é a combinação de um ácido com uma base, dando um sal.
Este sal, o sabão, é resultante da combinação entre os ácidos graxos com uma base forte, que pode ser a soda, a potassa ou algum desengraxante ainda mais cáustico. O que interessa é que toda soda se combine com toda a gordura. Para isso há um tempo de cura, em que esta reação de saponificação se completa totalmente, sem deixar resíduos.
Os sabonetes feitos através do cold process são assim. Usamos a soda, porém ela se combina totalmente com as gorduras, transformando-se em sabão, sem sobrar soda nenhuma. Pelo contrário, toda saboneteira consciente coloca um acréscimo de gordura chamado superfat para garantir que nada cáustico permaneça, e que o sabão tenha um efeito hidratante na pele.
Algumas pessoas argumentam que os sabões de glicerina não usam soda, porque não entram em contato com ela, pois só compram as barras derretíveis em lojas especializadas para darem acabamento ao sabão, colocando aditivos e fazendo decoração das barras.
Mas estas barras de glicerina contem não somente soda, como desengraxantes poderosos, como o lauril eter sulfato de sódio (LESS), lauril sulfato de sódio (LSS), bem mais cáusticos que a soda e tendo como base... a soda!!!
Ou seja, você não escapa da soda se usa a glicerina derretida, e pior, os saboneteiros ainda acrescentam mais lauril, para aumentar a espuma (oh, quanto engano!) o que deixa a barra ainda mais cáustica, ressecando e removendo as camadas córneas superficiais da pele. Isso pode causar coceiras, alergias, descamações (peles secas ou normais) ou excesso de oleosidade (pele oleosa). Em xampús, a ação acumulativa pelo uso de detergentes, provoca queda dos fios e sensibilização do couro cabeludo
Os sabonetes feitos pelo hot process combinam toda a soda através do cozimento da massa. O sabão sai da panela prontinho para ser usado, mas por precaução, ainda deixamos alguns dias, para secagem e cura.
Os do tipo rebatch são recozidos, demoram muito tempo secando na forma até serem preparados para embalar. Estes são os mais suaves e generosos à pele e também os mais perfumados. Mas mais trabalhosos também, e difíceis de dar certo.
Quanto à glicerina, ela é um subproduto do fabrico do sabão. Em todos os sabões que faço, a glicerina não é retirada. Pelo contrário, toda barra de sabonete tem poder hidratante, emoliente, para a pele do seu rosto e do seu corpo.
Os sabonetes feitos assim, são o que os franceses chamam de le vrai savon (o sabão verdadeiro) que lava e cura, que cicatriza pequenos ferimentos, que desinfeta a pele, deixando-a macia e viva.
Experimente! Sua pele delicada merece este cuidado especial e científico.
Sem meias verdades, sem enganar ninguém.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Natural Perfume Academy
Em novembro começaram as aulas do novo curso, em português, da Natural Perfume Academy.
Para mim, uma grande responsabilidade, pois entre os meus alunos há os que tem um conhecimento prévio de aromas e perfumes provavelmente maior que o meu: duas aromaterapeutas (profissionais) e um adorador de perfumes de griffe.
Mais um grande desafio que se inicia.
Se é um desafio, é preciso ter calma, estudar muito, ter um fazer consciente. Prometo dar de mim o melhor, muita concentração e dedicação. Vou fazer o possível para que saiam realmente felizes com o curso e que adquiram os recursos técnicos necessários para que sejam bons perfumistas botânicos naturais.
Fiquei muito feliz por ter a confiança de minhas professoras, Justine Crane e Shelley Waddington e da diretora da Academia, Ruth Ruane, que colocaram o curso em português nas minhas mãos. Agora, tenho que honrar esta confiança, apresentando o melhor de mim, como monitora do curso.
Espero que consiga e que meus alunos ajudem a melhorar o aroma do mundo.
Fiquei muito feliz por ter a confiança de minhas professoras, Justine Crane e Shelley Waddington e da diretora da Academia, Ruth Ruane, que colocaram o curso em português nas minhas mãos. Agora, tenho que honrar esta confiança, apresentando o melhor de mim, como monitora do curso.
Espero que consiga e que meus alunos ajudem a melhorar o aroma do mundo.
sábado, 22 de outubro de 2011
Sabonete extinto
Pétala é um sabonete extinto. Uma linha que não busco mais,porque acaba com minhas mãos. Realmente muito esforço para pouco rendimento. Pétala era todo prensado à mão, feito com puro sabonete de palmiste, calamina e argila rosa, combinação perfumada de ottos de rosa turco e marroquino, concreto de rosa búlgara, patchouli gerânio rosa e palmarosa. Era cheio de amores pela pele e pelo aroma da rosa.
Há substituto entrando no lugar, com as mesmas características, feito no estilo French rebatch, o nome será pétala, também, mas não será mais este, agora fora de linha.
Adeus, Pétala 1.
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