sábado, 10 de novembro de 2012

Segunda edição

Sim,
saiu a segunda edição de A ARTE DA PERFUMARIA: métodos de obter o aroma das plantas, de George William Septimus Piesse, que eu traduzi a Marian fez a edição. Trabalho especialmente caprichado.
Revisamos e passamos a limpo tantas vezes que, até agora, ninguém conseguiu descobrir nenhum erro!!! O livrinho ficou tão lindo!
Mas eu vou contar a história dessa tradução.
A primeira vez que li o "Piesse", final de 2006, foi como se estivesse abrindo uma caixa de joias de grande valor. Todo um mundo de cores e perfumes se descortinava, vindos de uma época quase desconhecida, quase apagada por um século, pensava nos romances das irmãs Brontë, Thomas Hardy, Jane Austen. Em um tempo em que a eletricidade era a maior maravilha tecnológica e era usada para fazer mágicas e prestidigitações. Imaginem que Piesse tinha uma...lâmpada! Ele era um homem moderno.
Ensaiei muitas receitas e mocks de flores mudas, como o lírio-do-vale, cravo de jardim, lilás. Transformei as medidas, improvisei com o que eu tinha, e aprendi, aprendi, aprendi.
Eu tinha vivido no Sítio Curupira, onde fazia minhas tinturas, óleos e infusões de ervas, segundo os ensinamentos dos meus queridos professores Oreste Scavonne e Sylvio Panizza, como fitoterapia para alguns probleminhas da família e da criação.Piesse veio semear em terreno já fertilizado por alguns anos de treino e experimentação. À época, tinturava e infundia varetas de incenso que minha sogra trazia ou enviava, para retirar seu perfume e com isso aromatizava minhas glicerinas e óleos. Já tinha até feito um perfuminho de cipreste que fazia bastante sucesso, o "Cedrinho do Parque", entre o público masculino. O diferente deste perfume é que era feito das folhas do cipreste, mais nada, não usava reforço de nenhuma essência. Descobri com Piesse, que o que estava fazendo era absoluto de cipreste. Meio tosco, mas que conservava as características olfativas de um cipreste excepcionalmente cheiroso, que tem na cerca do clube, perto do Parque das Águas, de onde tivera sido saqueado.
Extrações simples, tinturas de espécies aromáticas, garrafadas e pastas, eram minha paixão secreta e uma noite acordei assustada com um sonho muito real, de ter um quarto todo cheio de vidrinhos, com líquidos vivos fermentando. Achei que era por fazermos vinho e cerveja, em casa. Pode ser também que tivesse sido meio premonitório.
Li as dezenas e dezenas de receitas do livro e pensei que um dia pudesse dividir com os brasileiros interessados em perfumaria, uma tradução bem feitinha. Tá, a ideia é bem antiga. Passei adiante, ao grupo Ladrão de Aromas, a leitura deste livro tão interessante, então era encontrado, na net, gravado em CD, a preço baixo, somente 3 dólares, o que paguei pela primeira edição do Piesse, naquele ano.
Hoje é encontrável no Google livros e outros sites de leitura, gratuitamente.
A cada edição de seu livro, ele ia aperfeiçoando e aumentando informações, às vezes retirando dicas interessantes das edições anteriores, talvez para transformar em um labirinto o processo de pesquisa de seus leitores, já enlouquecidos pelos aromas...
A parte que traduzi não é a de receitas. Consta de um resumo da história da perfumaria, os métodos de extração de aromas, algumas monografias de aromas importantes para o artesão perfumista de antiquário.
As outras leituras foram ao longo dos anos, uma delas, durante o curso de perfumaria, da Academy of Perfuming Arts, para onde levei Marian, que hoje também é perfumista artesã e faz trabalhos de excelente qualidade, grande amiga (mais virtual que analógica, mas muito real!) e asa companheira de muitos planos de voo. Encantada com perfumaria, ela lia muito sobre isso. A tradução do livro foi um desses voos.
Sonhamos por muitos meses, até a maturação da ideia. Eu não seria capaz de traduzir o livro inteiro, traduzir todo receituário seria muito complicado, com pouco tempo e dinheiro limitado para o investimento, porque é produção independente.
Fizemos então o esquema de como fazer, o que traduzir, quais as partes do livro que seriam fundamentais para que o leitor pudesse executar as receitas todas usando a informação dada no nosso livro. Compilamos da terceira edição, o ODOPHONE, por ser importante conhecer e entender que Harmonia também é importante na Oitava Arte. Omitimos tudo que pode ser buscado no original, para enxugar a edição.
O livrinho tem 100 páginas, mas é denso. Sem repetições desnecessárias e muito escrito, em poucas palavras. Agora, a interpretação das palavras George William Septimus Piesse, é com o leitor. Fiz o possível para ser muito fiel ao que ele diz.
É um livro para ser relido.

Para bom entededor, um pingo é letra. Boa viagem!


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Em Belo Horizonte, no empório da Laszlo Aromaterapia, na rua Itaúna, 66 - Floresta
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R. Conde de Irajá, 65, V. Mariana
Em Portugal, com Florbela Graça, contatar pelo Facebook.
Livraria Asabeça, SP, que eu não sei onde fica.

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